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ARTIGOS

Valorização e Valoração das Infraestruturas Verdes com Base nos Serviços dos Ecossistemas

As infraestruturas verdes são redes de base ecológica que promovem a conetividade da paisagem, a melhoria da qualidade de vida local e do meio ambiente. A sua importância, quer na proteção e no restauro das funções dos ecossistemas, quer no desenvolvimento territorial, tem sido reconhecido um pouco por todo o mundo, em especial na Europa. A Comissão Europeia (2013, p. 2) reconhece que o “investimento nas infraestruturas verdes é um passo importante no sentido da proteção do capital natural que tem vindo a ser degradado”.

Através da manutenção de ecossistemas saudáveis, da ligação de áreas naturais fragmentadas e do restauro de habitats danificados, a infraestrutura verde, fornecedora de bens e serviços, é economicamente viável e sustentável.

Torna-se assim necessário assegurar que a infraestrutura verde seja um elemento fundamental nas políticas de ordenamento e desenvolvimento do território (Comissão Europeia, 2013). No entanto, apesar das orientações europeias explícitas, em Portugal é ainda pouco frequente que este conceito seja considerado no processo de planeamento e ordenamento do território e na tomada de decisão, principalmente numa época de crise onde todos os investimentos são colocados em causa, não equacionando as vantagens que esta rede pode representar no desenvolvimento e crescimento económico.

Considera-se desta forma, importante analisar-se o valor (ecológico, económico e sociocultural) que as infraestruturas verdes têm para as sociedades, demonstrando a importância que estas redes têm para o desenvolvimento territorial e económico. A própria Comissão Europeia (2013) no seu comunicado “Infraestruturas Verdes – Valorizar o Capital Natural na Europa” considera que para o futuro desenvolvimento destas infraestruturas é importante que sejam realizados mais estudos sobre a valorização dos serviços ecossistémicos fornecidos por estas.

De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, os serviços dos ecossistemas constituem uma linguagem mais coerente e eficaz e que tem um maior reconhecimento entre os agentes políticos e outros interessados no tema (EEA, 2011), sendo por este motivo que a valoração das infraestruturas verdes tem por base a valoração dos serviços dos ecossistemas.

É imprescindível que no futuro sejam realizados estudos e investigações que liguem estes dois conceitos e que contribuam para o futuro das infraestruturas verdes. 

R. Martinho

Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) enquanto parte dos Sistemas de Apoio à Decisão (SAD)

Os sistemas de informação geográfica (SIG) em Portugal terão começado nos anos 70 do séc. XX, de forma isolada em várias empresas e organismos da administração (Grancho, N. 2007). Apesar da redução dos tempos de processamento, a repetição de tarefas sempre se verificou. O progresso dos componentes SIG, nomeadamente o hardware, o software, os dados, as metodologias e a formação das pessoas, acompanhou a evolução tecnológica, adaptando-se às necessidades e normativas que foram surgindo e que, cada vez mais, vão obrigando a recorrer às tecnologias de informação geográfica no apoio à tomada de decisão. A tomada de decisão é uma parte integrante das atividades humanas, em geral, e principalmente daquelas que se relacionam com a gestão.

Os SIG podem ser entendidos como um componente dos SAD, tendo até a necessidade de expansão das suas capacidades para a resolução de problemas complexos de decisão espacial (Densham, 1991), conduzido ao conceito de Sistemas Espaciais de apoio à Decisão (SEAD) (Cabral, 2001), uma outra forma de encarar uma tecnologia que começou por ser descritiva e que, atualmente, tem dimensões de interpretação e explicação que ultrapassam a mera sobreposição de camadas (layers), numa visão “hartshorniana” de espaço geográfico abstrato e apenas mero recetáculo dos fenómenos naturais e humanos (Hartshorne, 1958). No entanto, neste artigo conservamos a designação de SIG, numa lógica que, não pondo em causa aumentos da sua capacidade de integração de outros sistemas, mais ou menos complexos, não lhe retira a principal característica que está na sua origem e no seu futuro: a Geografia. Deste modo, um SIG poderá ser entendido como “um sistema constituído por hardware, software e procedimentos, construído para suportar a captura, gestão, manipulação, análise, modelação e visualização de informação referenciada no espaço, com o objetivo de resolver problemas complexos de planeamento e gestão que envolvem a realização de operações espaciais” (Cowen, 1988: 1551). O facto dos SIG utilizarem dados que se encontram referenciados espacialmente, implica que cada objeto cartográfico possua coordenadas e que esteja relacionado com os objetos envolventes.

As aplicações e as ferramentas SIG têm, num contexto de sistemas integrados, a responsabilidade de permitir gerir toda a informação adquirida e processada através do sistema. Caso seja necessário, deverá recorrer-se a funções que permitam a normalização dos dados de acordo com as orientações já estabelecidas em alguns setores, publicadas pelas entidades oficiais responsáveis, e tornar o sistema inteligente, procedendo à análise e à modelação de forma a gerar nova informação de acordo com as necessidades dos utilizadores e em conformidade com os níveis de um processo de tomada de decisão (estratégico, tático ou operacional), sendo conveniente o domínio das estruturas de dados inerentes (CAD, deteção remota e SGBD), para que o desenvolvimento dos automatismos e aplicação de metodologias de controlo de qualidade da informação gerada, possam aumentar a produtividade em tarefas subsequentes.

S. Prazeres

Fonte: MundoGeo